Henrique era um conquistador nato. Invejado por todos os homens. Admirado pelas mulheres. Por todas. Era casado, mas seguia a teoria de que cavalo atado também pasta. Henrique pertencia à turma da falcatrua. Todos os invejosos interrogavam as mulheres vitimadas por Henrique. As respostas eram intrigantes e sempre as mesmas: nenhuma palavra, apenas suspiros de “ahh” e “uuhh”. Não se sabia o quê, mas se sabia que ele tinha. O Henrique tinha. Igual ao Zé Mayer, não se sabe o que, mas ele tem!
A turma do deixa disso, alertava o Henrique. Diziam: - Henrique deixa disso! Um pouco por ciúme, um pouco por pena de sua esposa. E realmente, era de dar pena. Era de consenso sabido que Henrique a amava só não se descobria porque Henrique lhe causava tanto mal.
Quando contestado, Henrique disfarçava. Dizia: faço bem feito, ela nunca irá descobrir, nem desconfiar. Realmente, Henrique fazia bem feito e bastante e várias vezes. Mas com a astúcia dum coringa no assunto. Seu cardápio era mais variado do que o de um restaurante à kg. Ia de morenas retacas e pequenas, fortes, brutas, rudes e de beleza até ofensiva até loiras altas, de cabelos esvoaçantes, de rostos finos, de panturrilhas torneadas, de pés delicados, de mãos suaves... Enfim, loiras e morenas!
Sua mulher, não ficava para trás. Contudo, era ruiva. Uma ruiva, fogosa, agressiva (no bom sentido), de pernas roliças (também no bom sentido)... Enfim, uma ruiva. Com tudo que uma ruiva deve ou deveria ter. Que ruiva! Mas era enganada. Não merecia.
Até o dia em que a ruiva, encontrou no cesto de roupa suja, uma cueca com batom. Ou melhor, uma marca de batom na cueca. A expressão já diz tudo... Batom na cueca não tem explicação. A ruiva não disse nada, apenas mostrou a cueca ao Henrique. Levantou-a com repúdio, com nojo, prensando o elástico entre o indicador e o polegar, deixando a mostra aquele borrão de batom... Na virilha... Bem na virilha... E seguiu sem dizer nada... Quem diria hein Henrique?
O Henrique ficou sem jeito, levou o dedo “pai de todos” até a nuca, coçou, coçou... Fez uma cara de “pois é” e nada disse também... Saiu da sala, foi até o quarto, fez a mala, foi embora, sem dizer nada. Pois é assim que reage quem deixa escapar um batom na cueca... Porque em meio às falcatruas de quem as faz, sempre escapa um batomzinho... E esse batomzinho acaba por denunciar todas as falcatruas que foram escondidas e disfarçadas...
E eu espero, ansioso, o dia em que encontraremos um batom na cueca do nosso querido Presidente Lula.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Batom na Cueca
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Tudo tem um preço
Essa pergunta intriga à todos. As tias na feira livre, os viciados nas bocas de fumo, os empresários no mercado internacional. Eu mesmo, me criei aprendendo a sempre perguntar: quanto vale? Quase que afrontando o vendedor...
Quando pequeno ia ao bolicho da esquina, feliz, com algumas patacas na mão, dadas pela vovó, comprar besteiras. E com as besteiras, me distraia a tarde inteira. Vezes balas, vezes sorvetes, mas a maioria das vezes, salgadinhos. De 20 centavos – os quase extintos “Okeizitos” -.
Capitalista ou não, assim foi minha criação. E a de todos. Um certo dia aumentou o preço do salgadinho. Me revoltei. Chorei. Pechinchei. Nada adiantou.
Foi minha primeira indignação com a política e com a crise mundial – mesmo sem saber da sua existência -. Como podia o salgadinho pequeno, de 10 ou 15 gramas custar 25 centavos e não 20. Comecei a me questionar. Será que foi o preço do sal? Será que o “tio” estava me passando para trás? Não sabia, naquela época, que existiam macro ambientes, logística, e taxas de imposto.
Fui pesquisar. Perguntava à todos: porquê... porquê... porquê...! Não podia conceber a idéia de que o salgadinho, de bacon, fininho, salgadinho, que dava sede, ia custar 25 e não 20. Com a soma das respostas de todos aprendi uma lição. Tudo tem um preço. Financeiro ou não, tudo tem um preço. E às vezes, por precipitação, o barato podia sair caro. Se eu mesmo criança, descobrisse que o preço iria aumentar teria feito um estoque. Juro.
Nessas falhas de mercado que surgem os empreendedores e futuros milionários. Eles se dão conta, por exemplo, que o salgadinho vai aumentar e compram por 20 e vendem por 24. Ganham 4 centavos por salgadinho e ainda são mais baratos que a concorrência, vendem tudo.
Nesta quarta feira, dia 28, confirmei minha primeira lição sobre economia. Esta mesmo: tudo tem um preço. O Inter está pagando este preço, e não vai ganhar o Brasileiro. Porque o Brasileiro, para o Inter, tinha um preço: o Nilmar. Cerca de R$ 44 milhões. Talvez se os dirigentes do Colorado fossem comigo, comprar as besteiras, com as patacas da vovó, não venderiam o Nilmar. Pois fariam um estoque. Iam se dar conta, que em um time que tem a ambição de ser Campeão Nacional, não se pode abdicar do seu craque. Se o Internacional segurasse suas “besteiras”, passaria o campeonato inteiro se distraindo e se divertindo, igual a mim, durantes às tardes. Mas o Internacional se precipitou, e o barato, vai sair caro. Bem caro.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
A pseudociência
Convenhamos, acredito, até certo ponto, que os astros, planetas, estrelas ou qualquer coisa que ronde a Terra, possa influenciar no momento em que uma pessoa nasce. Admito que não sei porquê, mas parece que influencia mesmo. Deve ter alguma fórmula matemática ou algo equivalente, que diga: netuno ao quadrado vezes estrela 34 mais dia 12 é igual a uma pessoa estressada. Compara-se com pedra, papel, tesoura; par ou impar; minha mãe mandou; etc. Cada movimento corresponde a alguma ação...
Faço um esforço astrológico – não saindo do assunto - para aceitar que a personalidade da pessoa vai ser assim ou assada, se Mercúrio estava mais pra lá ou mais pra cá, se Vênus estava namorando a lua. Ninguém sabe sequer falar quando nasce, como vai adivinhar a posição da lua? Lanço uma teoria astrológica, mais prática e menos complexa: a pessoa será braba se a irritarem e será tranqüila se a deixarem em paz. Simples não?
O que mais me deixa em dúvida, ainda, é o horóscopo diário. Dia bom para viagens... Dou um recado às astrólogas: se o dia é bom para viagens eu não sei, mas tenho certeza que o dia em que eu viajar, será ótimo. Hoje você terá um dia ótimo no trabalho... e para quem ainda estuda? Não se pode ter um ótimo dia no trabalho, quem não trabalha.
Poderia passar o dia me perguntando sobre o horóscopo e, cada vez mais, ficando em dúvida sobre isso. Mas já que não tenho o dia todo, sabe como é, não custa passar os olhos...
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Ahh.. esses provérbios!
Tenho absoluta certeza: todos aqueles que baseiam seus atos em provérbios se dão bem na vida, ou pelo menos, diminuem erros posteriores. Mas também, não há quem agüente passar a vida pensando em provérbios. Isso limitaria tudo e também tornaria reflexivo demais, contrário ao século em que estamos.
É engraçado como certos provérbios surgem na nossa frente, no momento exato, risonhos. Parece que ele foi feito justamente para aquela situação, pois diz tudo, quebra teorias com meia dúzia de palavras, ignora a tudo e a todos com desprezo e toma para si a explicação de tudo.
Volto ao provérbio citado lá em cima, este mesmo, que me levou a escrever tudo isso. “Será preciso cair do telhado para saber o que isso significa?” Respondo: sim. Para o Inter, sim. Foi necessário sair da Sulamericana, sair do G-4, ficar um mês sem ganhar, cair não do telhado, mas da tabela, para ver: é necessário mudar. E aí, mudou. Agora, há mínimas rodadas do final contratou o improviso, também conhecido como Mário Sérgio - nome de cantor sertanejo -. No momento que havia Luxemburgos, Murycis... na feição, eles não se moveram. Cabe aí o provérbio: "O tempo e a ocasião mostram o que se deve fazer." Pena que não consultamos sempre os provérbios! Com certeza, nos moveríamos. Agora, o que nos resta é aguardar e ver outro provérbio, agora africano, nos mostrar que: “Você não pode construir uma casa para o verão do ano passado.” Ahh... esses provérbios tem muito o que dizer...E tem gente que ao final desse ano vai fechar os olhos e bater com a palma da mão no meio da testa...
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Como ser feliz
O Brasil sabe. E a cidade maravilhosa, também! Estamos felizes. Demais. As Olimpíadas são nossas, e isto pelo melhor dos lados deve servir de motivo para vermos que, com boa vontade, conseguimos e podemos ser melhores que chineses, americanos e europeus.
O Brasil tem a receita da felicidade, e desconfio que esteja no bolso do nosso querido presidente. Devemos pegá-la. Lula sabe, de um modo ou outro, conquistar a simpatia do público e dos seus eleitores. Seja viajando para Copenhague para discursar pelo esporte, seja descobrindo sal embaixo da terra. Este gordinho, barbudo e sem um dedo mínimo, está surpreendendo à todos, inclusive a mim, e entrando pra história com bons e maus feitos. Mas sem dúvida, feitos.
Discursou – obviamente, em português – frente aos homens mais poderosos do planeta, em destaque: o moreno e o olhinho esticado. E não deixou a desejar, tanto que levou – ou melhor, trouxe – as Olimpíadas para o Rio.
Aí mora minha preocupação, no Rio. A cidade maravilhosa! Imagina se acontece algo errado? E se os traficantes não fornecem uma “pura” aos turistas? E se as pizzas terminam frias nas mesas dos líderes políticos que se achegam para prestigiar o evento? E se o churrasco de confraternização estoura a tampa e cai na carne? Terá uma segunda opção? Feijão tropeiro, quem sabe... O pior: Imagina se uma bala perdida encontra alguém? Que vergonha seria...
Mas assim é o Brasil. Assim, feliz! Não importa que tenhamos balas, pizzas azedas, churrascos com vidro... A Olimpíada é nossa! Retrato dessa indiferença era a quantidade de pessoas na praia em pleno meio dia de sexta feira. Todas orgulhosas. Procurando as câmeras para gritar em alto e bom som: estou faltando o trabalho pra vir aqui! Que beleza!
Somos o retrato dos nossos líderes, que estão faltando o trabalho para ir à Copenhague. Porém não vamos culpá-los, pois eles fizeram o dever de casa, fora dela. São exemplo de como faltar aos deveres e ao mesmo tempo se redimir. Outro feito surpreendente. E é por isso e pelo que – tenho certeza - há de vir, prometo: não me preocuparei mais com nenhum dos problemas da nação, faltarei ao trabalho para ir à praia, não ajudarei as vovós a atravessar a faixa e muito menos pararei nos sinais vermelho. E se conseguir algum dinheiro público, juro que vou a Copenhague. Sabe porquê? Por que a Olimpíada é nossa! E com isso, já estou feliz, à moda brasileira, é claro!
sábado, 19 de setembro de 2009
1 ano de blog
Nem eu acreditava. Neste mes comemoro um ano de blog. Quanta alegria. Após inúmeras tentativas fracassadas de manter atualizada uma humilde página, de comentários mais humildes ainda, na grande rede. Obrigado à todos, que me fomentam e me municiam para escrever e principalmente, me encorajam para publicar e postar minhas considerações. Que mais anos venham...
Um comentário infeliz, num momento infeliz
Nosso excelentíssimo presidente virou motivo de piada, mais uma vez. Solicito, ofereceu ao visitante Nicolas Sarkozy um churrasco, que terminou em feijão tropeiro. Até aí, nada é novidade. Lula aprontando mais uma peripécia e ainda fazendo o pouco que podia dar certo, dar errado. Virou comentário em todo território nacional. Mas mais triste do que o churrasco envidraçado, foi o infeliz comentário do funcionário público Sandro Amoroso Pacheco. Abrindo a Zero Hora do dia 18 de setembro, me deparo logo na página 2 com um comentário equivocado e principalmente, estridente. Primeiramente, não entendi o porquê de tamanha revolta com o Estado e sua identidade cultural. Hoje, dia 19, pude compreender um pouco mais do motivo das acusações do senhor Pacheco.
Pois bem, Sandro. Agora chegou minha vez e vou dar minha opinião, se possível for. Fico triste em saber que existem pessoas que pensam como tu, e vejo que não é apenas uma ou outra. Aprendi desde cedo, e sou grato por isso, a amar a terra em que nasci e seguir os costumes que ela segue, esteja onde estiver. E agora, logo alguns dias antes da data de maior importância para o nosso Rio Grande, é uma pena ler um comentário desta espécie.
Aceito tuas considerações, até por terem ocorridos fatos pessoais, inclusive com teus filhos, e respeito tua posição afinal, a família é sagrada. Mas o que não suporto é da tua parte, generalizar o que algumas pessoas fazem, por mera mesquinhez. Não é problema do Rio Grande inteiro se algumas pessoas te tratam de maneira diferente. Até porque isto acontece em todo lugar. Já morei em São Borja e posso garantir que o povo daí é hospitaleiro e cordial, com todos visitantes, sejam eles nascidos em São Paulo ou no Japão. Quanto à procedência do churrasco, admito que não tenho, e nem tu tens, autoridade para dizer aonde surgiu e quem criou. Contudo, tu deves saber que o churrasco gaúcho é reconhecido no mundo inteiro como um exemplo, não só pelo preparo em si, mas pelo quanto o ritual é cultuado. Não deve ser por acaso, como tu mesmo citastes, que as churrascarias de São Paulo dão nomes ligados ao Rio Grande do Sul para aliarem à sua marca um pouco da tradição do assado.
Não quero com isto te ofender e muito menos de atacar, da mesma maneira que tu. Porém como tu te defendes, aprendi a não defender apenas a mim, e sim, ao Estado que tive origem. E é por ter crescido com estes valores, que me obrigo a discordar e condenar teu posicionamento. Tenho absoluta certeza que o Brasil inteiro reconhece que a identidade cultural mais forte do país é a gaúcha. Amamos nossos costumes como o chimarrão, o próprio churrasco e os símbolos que representam nosso Estado. Não venho julgar quem é melhor, pois isso é imensurável, mas seria um pouco melhor pra São Paulo se os paulistanos sentissem um pouco mais de orgulho e adoração pelo lugar onde nasceram. Para concluir, te aconselho ao bom e velho ditado que diz: “os incomodados que se retirem...”
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Senhor General Carlos Caetano Bledorn Verri
Sendo contestado no início, Dunga soube reverter com trabalho seu quadro, diante de todo Brasil. O também gaúcho, Luiz Felipe Scolari fez o mesmo. Após ser muito contestado devido à classificação suada, e a não levar o baixinho Romário para Copa, Felipão levou para si toda a responsabilidade caso não conquistasse o Mundial. Foi e soube trazer a taça, e é por isso se tornou o que é. Dunga é um seguidor de Felipão.
Dentro dos campos tinha o mesmo estilo de quem aprendeu a jogador bola em uma escola gaúcha. Usando técnica, mas principalmente, força e bravura. E é isso que torna Dunga – e a seleção - o que são atualmente. Bravura, união, entusiasmo... Como treinador, não podemos dizer que Dunga é um especialista, um estudioso. Até porque se estudioso fosse, não escalaria o desconhecido e limitado Afonso. Contudo, devemos saber: todo time precisa de um bravo. Um guerreiro, que grite e que saiba quando e como xingar. Xingar sim, como um time colegial. Falar uma ordem seguida de um palavrão. E não ficar de braços cruzados e com uma cara comprida, como vimos o Parreira no jogo contra os franceses em 2006. Pense. Todo time que se consagrou campeão em qualquer certame, tinha dentro do campo ou na beira dele um bravo.
O senhor Bledorn – nome de general – está dando sua cara e seu estilo à seleção. Não se enxergam mais brincadeiras e pedaladas de Robinhos dentro dos gramados, nem loiras invadindo o campo, nem baladas, nem bebedeiras... Fazendo uma alusão ao futebol e ao país, o Brasil mostrava para o mundo o futebol alegre, solto e com o nosso “jeitinho”, mas que não levava a nada. Se divertia, brincava e perdia.
Pois bem, terminou-se a festa e começou o futebol sério e profissional. Como citou o próprio Dunga no Arena Sportv à anos atrás quando nem era técnico da Seleção: “em 1994 (tetra brasileiro) não dávamos espetáculos, jogávamos futebol. Quem quer espetáculo que vá ao teatro e ao cinema, mas se quiser bravura e dedicação vá ao estádio”. Nesta frase, Dunga resumiu-se.
E o melhor de tudo é que provém dessa bravura e seriedade o futebol arte. O da Copa de 70, que era belo sem desprezar o adversário. Não é necessário o talento das pedaladas, mas sim o talento técnico, que resulta em gols, em belas jogadas e não em macaquices circenses. Assim foi contra os hermanos. Se faz o dever de casa, se joga sério e depois sim, se mostra o talento e se faz usufruto do mesmo.
Tomara que o Brasil se dê bem na Copa. Não para ser hexa - se vier será bem quisto, mas para mostrar pro mundo que o Brasil é muito mais do que loiras, festas, carnavais e pedaladas.