terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O homem falha

Todos homens falham. Falham feio. E é nessa infelicidade que vivemos. A infelicidade das falhas. Passamos a vida acertando, mas sabemos que um dia iremos falhar e aguardamos covardes por isso. Tenho certeza que sim. Para todos aqueles que estão pensando em relação sexual, devo citar que não me refiro isso. Embora todos tenham pensado nesse assunto lendo esta introdução. Maliciosos.

Sei que estou parecendo pessimista, mas não, é a realidade. Tu que estás lendo agora, convicto de que não falha, ou pelo menos, nunca falhou. Tu vai falhar. Ahh vai.

Quero aqui esclarecer de que eu não falhei. Pelo menos não uma falha grave, eu espero. Mas cheguei a esta conclusão vendo recentes falhas de quem eu sempre acreditei que não falharia. Portanto sei que falharei também. A falha só surge quando temos sucesso, pois quem não tem, não falha, simplesmente vive ao lado dela. Obviamente a falha só repercute quando não a esperamos. Já dizia o pensador Homer J. Simpson: “A iniciativa é o primeiro passo para o fracasso.” Pessimismo? Não. Realismo? Provavelmente.

Cito aqui quem eu imaginava que não falharia e falhou: Tiger Woods. Um dos homens mais ricos do mundo, melhor golfista de todos os tempos. Para os comuns, um exemplo de homem. Porém, já vinha falhando... Não era de hoje que falhava. Agora descobriram suas falhas e o colocaram em uma clínica, o que sinceramente, acho que seria curado com muito mais facilidade em um ou dois carnavais no Rio.

Paulo Sant’Ana é outro cidadão que também me aborreceu. Embora gremista, sempre defendeu ideais que todos abraçavam, inclusive eu. Liberdade, ética e todas aquelas coisas que sempre queremos e que nos fazem bem. Até o dia em que protestou contra as coxas grossas.

Com tantos políticos e centroavantes que merecem protesto de ordem e voz, Sant’Ana protesta contra as inofensivas coxas grossas. O que seria de nós, homens, contra as coxas, grossas. Ferramentas que são tão ou mais fundamentais que as ancas, largas. Não declaro aqui protesto contra as coxas mais esbeltas, muito pelo contrário. Mulher nenhuma merece protesto contra suas coxas. Coxas são patrimônio histórico e cultural do Brasil. Sejam elas grossas, finas, lisas, ásperas, com ou sem penugem, penugem dourada ou não. Coxas são coxas. Que proteste então contra as coxas masculinas, que assim como os mamilos, para nada servem. A mulher e tudo que ela comporta, tem serventia. Diferente do homem, que é quase que inútil. Lanço aqui uma campanha: “Viva as coxas!” Quebraremos esse preconceito, por todos os lados.

Contra minha vontade, volto as falhas. Se dependesse de mim falaria páginas sobre coxas, apenas para mostrar como elas não devem ser achincalhadas.

E acreditando nessa teoria, finco os pés, dizendo que se Tiger Woods e Paulo Sant’Ana falham, eu, tu, nós, vós e eles, vamos falhar também.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Entre peripécias e imperícias

Há poucos dias foi notícia, nos jornais nacionais, as trapalhadas dos bandidos que resolveram assaltar um banco. Assim como nos programas americanos em que sempre o bandido se dá mal, os assaltantes planejaram assaltar um banco, ao não conseguir arrombar o cofre, o colocaram no porta-malas de um carro e saíram. Até aí tudo bem.

Uma série de trapalhadas tornou a tragédia, uma piada.

1- Os assaltantes saíram com o cofre e o porta-malas aberto.

2- Bateram o carro.

3- Assaltaram um novo carro.

4- Transferiram o cofre (para outro porta-malas aberto).

5- Passearam por duas cidades. Até atolarem o carro e serem capturados pela polícia.

Como devemos cumprir os ditos populares, cada povo tem o governo que merece. Assim são os nossos líderes. Ladrões. E mais que ladrões, humoristas. Eles conseguem exprimir de nós, expectadores, raiva e alegria. Como é deprimente e engraçado ver os engravatados enfiando dinheiro em cuecas, meias, e outras roupas íntimas.

Sinceramente, se eles quisessem roubar, desviariam dinheiro diretamente nas contas. Milhões, em “crédito” e não em dinheiro físico. Os políticos brasileiros não querem magoar e nem aumentar a miséria do povo, eles querem ver todos rindo e claro, estão recebendo para isso. Pena que o cachê que eles cobram é alto.

E assim como as peripécias e trapalhadas dos assaltantes do cofre, eles conseguem piorar ainda mais a situação. Aplicam desculpas inimagináveis e as justificam das mais engraçadas formas, como a das compras dos panetones.

Tenho certeza, o povo tem o governo que merece. Burro e ladrão.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A paz mundial está perto!

Todo mundo implora por dias de paz. Todo mundo tem ânsias para o dia em que a paz irá reinar no mundo. Não haverão guerras, nem desigualdade. Andaremos todos juntos, de mãos dadas. Quem sabe até, cantando canções natalinas. Esqueceremos as maldades, o desrespeito, as guerras mundiais, os mensalões...
Protestos não existirão. Seremos amigos, irmãos, próximos. O mundo inteiro irá partilhar da mesma compaixão e união com que os gaúchos rodam a cuia nos encontros regados a chimarrão. Existe a possibilidade de o mundo até se tornar monótono e chato de tão perfeito. Porque todo mundo sabe, o perfeito é chato. Inquietante.
E, pasmem, eu sei o dia em que a paz mundial pode chegar. Claro, não é certo. Mas pode acontecer. Está perto!
Se o fim do mundo é em 2012, como o previsto, eu estou prevendo o dia que a paz mundial chegará. A hora, também.

Agora. Domingo. Neste mesmo. Exatamente às 19:00, horário de Brasília, inclusive.

Se o Grêmio empatar, ao menos, com o Flamengo estará declarada a paz mundial! A maior rivalidade do mundo, pode se unir. Não há maior rivalidade do que o Grenal. Não tem nem Boca nem River. Nem Real Madrid nem Barcelona. Não só no futebol, no mundo também. Ou vai me dizer que a briga do Iraque com os Estados Unidos é maior do que a do Guiñazu com o Souza? Acho que não.

O destino da humanidade está dependendo de dois jogos. 180 minutos. Será dramático.
Fico imaginando, às 19:00 horas. Colorados e gremistas. Um perdoando ao outro, agradecendo. As implicâncias serão perdoadas, as cornetas, as piadas. Todas as provocações. Inesquecível. O Grêmio derrotando o Flamengo, fora de casa. A segunda vitória fora do Olímpico no campeonato, depois no Náutico. Com o time misto. Do outro lado, Adriano, Bruno, Léo Moura, sem esquecer do Petkovic. O Grêmio sem nenhuma pretensão. Fazendo churrascada nos dias de semana...

Pensando bem, acho que a paz mundial vai chegar, mas não nesse ano...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Batom na Cueca

Henrique era um conquistador nato. Invejado por todos os homens. Admirado pelas mulheres. Por todas. Era casado, mas seguia a teoria de que cavalo atado também pasta. Henrique pertencia à turma da falcatrua. Todos os invejosos interrogavam as mulheres vitimadas por Henrique. As respostas eram intrigantes e sempre as mesmas: nenhuma palavra, apenas suspiros de “ahh” e “uuhh”. Não se sabia o quê, mas se sabia que ele tinha. O Henrique tinha. Igual ao Zé Mayer, não se sabe o que, mas ele tem!
A turma do deixa disso, alertava o Henrique. Diziam: - Henrique deixa disso! Um pouco por ciúme, um pouco por pena de sua esposa. E realmente, era de dar pena. Era de consenso sabido que Henrique a amava só não se descobria porque Henrique lhe causava tanto mal.
Quando contestado, Henrique disfarçava. Dizia: faço bem feito, ela nunca irá descobrir, nem desconfiar. Realmente, Henrique fazia bem feito e bastante e várias vezes. Mas com a astúcia dum coringa no assunto. Seu cardápio era mais variado do que o de um restaurante à kg. Ia de morenas retacas e pequenas, fortes, brutas, rudes e de beleza até ofensiva até loiras altas, de cabelos esvoaçantes, de rostos finos, de panturrilhas torneadas, de pés delicados, de mãos suaves... Enfim, loiras e morenas!
Sua mulher, não ficava para trás. Contudo, era ruiva. Uma ruiva, fogosa, agressiva (no bom sentido), de pernas roliças (também no bom sentido)... Enfim, uma ruiva. Com tudo que uma ruiva deve ou deveria ter. Que ruiva! Mas era enganada. Não merecia.
Até o dia em que a ruiva, encontrou no cesto de roupa suja, uma cueca com batom. Ou melhor, uma marca de batom na cueca. A expressão já diz tudo... Batom na cueca não tem explicação. A ruiva não disse nada, apenas mostrou a cueca ao Henrique. Levantou-a com repúdio, com nojo, prensando o elástico entre o indicador e o polegar, deixando a mostra aquele borrão de batom... Na virilha... Bem na virilha... E seguiu sem dizer nada... Quem diria hein Henrique?
O Henrique ficou sem jeito, levou o dedo “pai de todos” até a nuca, coçou, coçou... Fez uma cara de “pois é” e nada disse também... Saiu da sala, foi até o quarto, fez a mala, foi embora, sem dizer nada. Pois é assim que reage quem deixa escapar um batom na cueca... Porque em meio às falcatruas de quem as faz, sempre escapa um batomzinho... E esse batomzinho acaba por denunciar todas as falcatruas que foram escondidas e disfarçadas...
E eu espero, ansioso, o dia em que encontraremos um batom na cueca do nosso querido Presidente Lula.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tudo tem um preço

Essa pergunta intriga à todos. As tias na feira livre, os viciados nas bocas de fumo, os empresários no mercado internacional. Eu mesmo, me criei aprendendo a sempre perguntar: quanto vale? Quase que afrontando o vendedor...
Quando pequeno ia ao bolicho da esquina, feliz, com algumas patacas na mão, dadas pela vovó, comprar besteiras. E com as besteiras, me distraia a tarde inteira. Vezes balas, vezes sorvetes, mas a maioria das vezes, salgadinhos. De 20 centavos – os quase extintos “Okeizitos” -.
Capitalista ou não, assim foi minha criação. E a de todos. Um certo dia aumentou o preço do salgadinho. Me revoltei. Chorei. Pechinchei. Nada adiantou.
Foi minha primeira indignação com a política e com a crise mundial – mesmo sem saber da sua existência -. Como podia o salgadinho pequeno, de 10 ou 15 gramas custar 25 centavos e não 20. Comecei a me questionar. Será que foi o preço do sal? Será que o “tio” estava me passando para trás? Não sabia, naquela época, que existiam macro ambientes, logística, e taxas de imposto.
Fui pesquisar. Perguntava à todos: porquê... porquê... porquê...! Não podia conceber a idéia de que o salgadinho, de bacon, fininho, salgadinho, que dava sede, ia custar 25 e não 20. Com a soma das respostas de todos aprendi uma lição. Tudo tem um preço. Financeiro ou não, tudo tem um preço. E às vezes, por precipitação, o barato podia sair caro. Se eu mesmo criança, descobrisse que o preço iria aumentar teria feito um estoque. Juro.
Nessas falhas de mercado que surgem os empreendedores e futuros milionários. Eles se dão conta, por exemplo, que o salgadinho vai aumentar e compram por 20 e vendem por 24. Ganham 4 centavos por salgadinho e ainda são mais baratos que a concorrência, vendem tudo.
Nesta quarta feira, dia 28, confirmei minha primeira lição sobre economia. Esta mesmo: tudo tem um preço. O Inter está pagando este preço, e não vai ganhar o Brasileiro. Porque o Brasileiro, para o Inter, tinha um preço: o Nilmar. Cerca de R$ 44 milhões. Talvez se os dirigentes do Colorado fossem comigo, comprar as besteiras, com as patacas da vovó, não venderiam o Nilmar. Pois fariam um estoque. Iam se dar conta, que em um time que tem a ambição de ser Campeão Nacional, não se pode abdicar do seu craque. Se o Internacional segurasse suas “besteiras”, passaria o campeonato inteiro se distraindo e se divertindo, igual a mim, durantes às tardes. Mas o Internacional se precipitou, e o barato, vai sair caro. Bem caro.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A pseudociência

Sempre duvidei do horóscopo. Mas sempre li. Sabe como é, na dúvida, não custa passar os olhos em três ou quatro linhas e ver se me darei bem no trabalho ou se o dia está bom para viajar. Por ação da curiosidade, pesquisei. Afinal, da onde sai este tal horóscopo? Defini-lo-ei: “é uma pseudociência ligada ao esoterismo que se baseia em uma série de crenças dos povos da antigüidade, que afirmavam que os astros influenciavam o destino das pessoas e da natureza.” Bom. Se é pseudociência, posso concluir: nem ciência o coitado é. Outra dúvida leiga: o horóscopo vem do bem ou do mal? Deus ou diabo? Polícia ou ladrão?
Convenhamos, acredito, até certo ponto, que os astros, planetas, estrelas ou qualquer coisa que ronde a Terra, possa influenciar no momento em que uma pessoa nasce. Admito que não sei porquê, mas parece que influencia mesmo. Deve ter alguma fórmula matemática ou algo equivalente, que diga: netuno ao quadrado vezes estrela 34 mais dia 12 é igual a uma pessoa estressada. Compara-se com pedra, papel, tesoura; par ou impar; minha mãe mandou; etc. Cada movimento corresponde a alguma ação...
Faço um esforço astrológico – não saindo do assunto - para aceitar que a personalidade da pessoa vai ser assim ou assada, se Mercúrio estava mais pra lá ou mais pra cá, se Vênus estava namorando a lua. Ninguém sabe sequer falar quando nasce, como vai adivinhar a posição da lua? Lanço uma teoria astrológica, mais prática e menos complexa: a pessoa será braba se a irritarem e será tranqüila se a deixarem em paz. Simples não?
O que mais me deixa em dúvida, ainda, é o horóscopo diário. Dia bom para viagens... Dou um recado às astrólogas: se o dia é bom para viagens eu não sei, mas tenho certeza que o dia em que eu viajar, será ótimo. Hoje você terá um dia ótimo no trabalho... e para quem ainda estuda? Não se pode ter um ótimo dia no trabalho, quem não trabalha.
Poderia passar o dia me perguntando sobre o horóscopo e, cada vez mais, ficando em dúvida sobre isso. Mas já que não tenho o dia todo, sabe como é, não custa passar os olhos...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ahh.. esses provérbios!

Já dizia um velho provérbio afegão: “Será preciso cair do telhado para saber o que isso significa?” Confesso: nunca busquei provérbios, afegãos pelo menos. Mas depois do momento que li esse, que citei, percebi o quanto eles podem nos dizer. A principal função de um provérbio é fazer pensar. Refletir. Através dessas sentenças práticas e populares, resumimos em poucas palavras um fato ou até inúmeros deles. Invejo os sábios, pensadores. São eles que, a partir de um contexto, desenvolvem uma idéia, muitas vezes, uma comparação, um provérbio. E muitas vezes, na falta de um sábio, o próprio povo dá vida a uma dessas sentenças. E é sempre depois que acontece o errado, que vem um sujeito e cita o provérbio certo, e só nos resta fechar o olho abrir a mão, e dar um tapa na nossa testa. Como não pensei nisso antes?!
Tenho absoluta certeza: todos aqueles que baseiam seus atos em provérbios se dão bem na vida, ou pelo menos, diminuem erros posteriores. Mas também, não há quem agüente passar a vida pensando em provérbios. Isso limitaria tudo e também tornaria reflexivo demais, contrário ao século em que estamos.
É engraçado como certos provérbios surgem na nossa frente, no momento exato, risonhos. Parece que ele foi feito justamente para aquela situação, pois diz tudo, quebra teorias com meia dúzia de palavras, ignora a tudo e a todos com desprezo e toma para si a explicação de tudo.
Volto ao provérbio citado lá em cima, este mesmo, que me levou a escrever tudo isso. “Será preciso cair do telhado para saber o que isso significa?” Respondo: sim. Para o Inter, sim. Foi necessário sair da Sulamericana, sair do G-4, ficar um mês sem ganhar, cair não do telhado, mas da tabela, para ver: é necessário mudar. E aí, mudou. Agora, há mínimas rodadas do final contratou o improviso, também conhecido como Mário Sérgio - nome de cantor sertanejo -. No momento que havia Luxemburgos, Murycis... na feição, eles não se moveram. Cabe aí o provérbio: "O tempo e a ocasião mostram o que se deve fazer." Pena que não consultamos sempre os provérbios! Com certeza, nos moveríamos. Agora, o que nos resta é aguardar e ver outro provérbio, agora africano, nos mostrar que: “Você não pode construir uma casa para o verão do ano passado.” Ahh... esses provérbios tem muito o que dizer...E tem gente que ao final desse ano vai fechar os olhos e bater com a palma da mão no meio da testa...