terça-feira, 11 de maio de 2010
Coerência que satisfaz
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Assim como os meninos de canela fina
A bola rolava. Não, melhor: a bola quicava... havia pedra, e pelo chão - batido - a bola não rolava... pulava, assim como os meninos de canela fina. Ela, a bola, fazia embaixadinha nas pedras passava por cima do pé e quando o levantávamos, ela escorregava na poeira e ia por baixo, era uma euforia de gritos e gargalhadas daqueles que esperavam do lado de fora pela sua vez. Eram tardes eternas e tão curtas, quanto os “gol-a-gol”, que tinham lá seus cinco ou dez minutos. O pasto onde tinha, era ralo, a bola era rala, os pés: descalços e por conseqüência, ralos também. A alegria era pura, sem pretensão, sem gana, sem depender do que nos está longe do alcance. A felicidade independente. Independente de qualquer coisa que aconteça. Que começa no primeiro chute moleque, pra cima, dá uma pausa quando a bola cai no vizinho e retorna, maior ainda, quando a bola surge alta, vinda por trás do muro alto, tapando o sol que é forte e aumentando os gritos, agora, somado a aplausos. O retrato de uma infância saudável e feliz. Afinal, não há nada que termine com a felicidade daqueles que ali estão, se estiver calor é bom, se chover, melhor ainda, enquanto a bola estiver pra um lado e pro outro – mesmo que rasgada, pelo vizinho - haverão aquelas canelas finas atrás. Mas é uma pena vermos que nossa infância se foi, não para nós, outrora canelas finas, pois ela sempre estará presente. Mas ver que aqueles que nos descendem, não terão campos ralos, nem tão pouco, pés descalços. Não terão machucados, canelas finas quem sabe, gripe pelas tardes na chuva...No amanhã, os pequenos terão apenas compromissos, desde cedo, vidas de adulto para responsáveis infantis. Responsabilidades pesadas sobre as costas daqueles, que ainda não criaram base para sustentá-las. Espero voltar a ver um dia no céu pipas cortando as nuvens, dando rasantes, e dançando de um lado para o outro... sem compromisso, assim como os meninos de canelas finas.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Duplas dinâmicas
E assim acontece com toda pessoa bem sucedida. Inclusive podemos avaliar o nível de sucesso e desempenho pelas pessoas que cercam aqueles bem aventurados. Ronaldo nas épocas de Barcelo, Real Madrid, Inter de Milão tinha ao seu lado, Cicarellis, Milenas... agora no Corinthians, Ronaldo tem André Luiz Ribeiro Albertino (Andréia Albertini).
Tenha certeza, Willian Bonner só é Willian Bonner pela mulher que tem, do contrário, seria mais um jornalista competente no nosso brasilzão. Assim é o Brad Pitt, assim é Beyoncé, para não parecer machista. Embora eu pense que Jay-Z não tem nada a somar, com exceção do dinheiro.
Porém sempre devemos valorizar os dois lados de uma dupla ou um casal. E o brasileiro tem como essa, mais uma de suas manias. O craque do momento é Neymar. Mas assim como Ronaldo e Rivaldo, nada seria Neymar, se não existisse Paulo Henrique Ganso. Apelidado de maestro, Ganso exerce com perfeição sua função dentro de campo e, para além de Neymar, Ganso é maduro. Dentro e fora de campo. À ele, chamo de gênio funcional (sem mesmo saber se existe esse termo), trocando em miúdos, é um gênio que busca resultado. Diferente de muitos. Ele dá o drible vertical, tendo como objetivo único e direto o gol e posteriormente, o resultado positivo. Ganso sim, é seleção. Merece a vaga pelo talento e maturidade que mostra, mas é claro que se sobrar uma “vaguinha”, não faria mal a ninguém levar Neymar.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Punição e recompensa
Resumindo toscamente a partida, tivemos o primeiro tempo à favor do Inter e o segundo, do Grêmio. Porém, nesta divisão o predomínio azul foi muito mais forte e efetivo. Tivemos ameaças, quase que iguais para os dois lados, mas o Grêmio teve volume, o Inter não, o Grêmio teve gols e o Inter, não.
Há quem diga que os dois gols, por serem de bola parada, não condizem com o resultado, de certo modo, sim. Contudo, foram gols de punição e recompensa. Recompensa para o Grêmio, que teve volume de jogo e foi totalmente superior na etapa complementar, abafando o Inter, que nem posse de bola teve. O Inter sofreu a punição, sendo que apenas dois jogadores não mereceram: Guiñazú e Walter. O resto do time esteve apático e frio, quem sabe pela chuva que caia. O tricolor, soube ser pulsante. A condenação aos vermelhos, foi pela indiferença do meio campo, que perdeu o pouco que tinha quando Fossati, errou feio e sacou do campo, Sandro, que junto com Guiñazú, segurava metade do time adversário. Existem erros e existem acertos. Desta vez, Silas acertou e soube usar o intervalo para reverter toda pressão imposta pelo colorado. E mais uma vez, Fossati errou por apostar em jogadores como Alecsandro e Edu, limitados. O que resta ao Inter, a esperança de que se repita 2006, não só por perder o Gauchão, mas por vencer a Libertadores. Eu, não acredito.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Nossas representações
Na Mitologia tivemos Deuses, inúmeros, cada um com uma representação e um simbolismo. Confesso que, por pura ignorância, pouco os conheço. Porém sei que esses Deuses, depois de tanto tempo, estão presentes em nossas vidas. Inclusive, tudo o que dá significação para o que fizemos e temos, foi e é regido por eles. Conto agora, parte da representação de Prometeu, filho de Jápeto, pai de Deucalião.
Prometeu, assim como o pai, era um titã. Com o perdão do trocadilho, ele não apenas prometeu, mas criou os homens. Juntamente com seu irmão, Epimeteu, ele teve a tarefa de criar todos os homens e animais, e assim, lhe atribuir características e dons, como: rapidez, força, coragem e tudo aquilo que um homem precisa pra se tornar o Zé Mayer. Além disso, assim como nossos políticos, Prometeu roubou - outro trocadilho - , o fogo de Zeus, e deu de presente àqueles que criava, os mortais. Daí vem a chama Olímpica, uma homenagem a Zeus, que foi roubado. Diferente de hoje em dia, quando todo mundo é roubado e ninguém é homenageado, até porque se assim fosse, viveríamos de cerimônias. Em síntese, os fogos, nos jogos, remontam ao passado, à tradição... Assim se confirmam da onde provêm essas representações que seguimos e acreditamos. Enquanto ocorrem os jogos a tocha permanece acesa, deixando assim, vivo o espírito olímpico.
Comparado ao fogo que é aceso, nasceu Helena. Helena tem como significado e representação também, o fogo. É luz, tocha. E de algum modo ou outro, Helena traz sua significação lá da Mitologia. E a sua representação, além do nome que já lhe foi dado, começa a ser construída. Para cada um de nós, Helena já tem seu significado. Para mim, Helena não representa apenas “fogo e luz”, e sim, felicidade por ver que os próximos, meus e dela, felizes também estão. Por agora ter conosco, mais um motivo para estarmos unidos e felizes celebrando o que Prometeu, cumpriu.
Sinceros Parabéns ao Papai e a Mamãe.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Porto Alegre é demais!
Não preciso de qualquer outro lugar, já conheci o melhor daqui, já vi o belo e o necessário. O pôr do sol, não tem igual, por favor, não leve a mal. Porto Alegre, das gurias, dos etecéteras... Ah, as gurias de Porto Alegre! Não há iguais. Há orgulho de estar aqui, de viver aqui.
Em Porto Alegre, tenho o vermelho e tenho o azul, não preciso de mais nada. Daqui saíram os melhores do mundo, algum motivo deve ter. E mesmo sendo assim, saindo, aposto que vão voltar. Quem sabe Porto Alegre é a melhor por saber ser meio termo. Não é cidade grande, mas também não é pequena. Aqui faz frio, muito frio, mas também, faz calor, que calor!
Há comida chinesa, francesa, há churrasco de fronteira. Tem calmaria, agitação. Nas manhãs há ar puro nas esquinas, posso respirar, porque o cinza não tomou conta daqui. Tenho bons dias, boas noites... Não me imagino longe daqui, não me imagino longe de ti, Porto Alegre.
Aprendi a dizer: falastes, fizestes, ligastes... Pra mim, tu é um caminho, o meio, aqui me sinto e me vejo perto do mundo, perto de tudo. Estou em casa. Não é Nova Iorque, não é Uruguaiana, mas está entre elas. Por isso estou tranqüilo, ando a pé pelas ruas... Quero vivê-las.
Porto Alegre me atrai, ir assim te descobrindo aos poucos, como em um namoro. Não sei muito de ti, mas gosto assim, como vou levando. Mas não diga a ninguém.
quarta-feira, 24 de março de 2010
O que Axl Rose tem a ver com Isabella Nardoni
Isabella Nardoni, sofreu. E por incrível que pareça, quanto mais se descobre o quanto ela sofreu, mais espetáculo se torna. Ela foi espancada, estrangulada, agredida e ainda arremessada pela janela. Há quem compre ingresso pra ver. Não duvido que exista cambista na fila, vendendo “furo”. Uma indefesa menina que, na mão de um pai e uma madrasta desumanos, penou o que ninguém no mundo mereceria, exceto eles próprios, que lhe causaram isso.
A relação que aplico no título do texto é justamente para explicitar o quanto vivemos no ritmo: espetáculo, atrás de espetáculo. Isabella Nardoni já se foi, e há quem, assim como os fãs de Axl Rose, madrugue em uma fila, para ver o resultado de tudo isso. Pessoas sem ocupação e, em alguns casos, pessoas com ocupação que abrem mão de suas ocupações, para madrugar em uma fila e ver o espetáculo acontecer, como no show do ex/atual Guns.
No Jornal Hoje do dia 22 de março, fica evidente essa “espetacularização”, quando a repórter entrevista um homem do interior de São Paulo que viajou até lá para assistir ao desfecho. E ele disse, que onde mora, não há morte desse tipo, que lá, só existe árvore e passarinho.
Guy Debord, criou a teoria que é mãe do nosso cotidiano. Precisamos ter Axls Roses, Isabellas, Dourados brigando com Dicésares, ao vivo. Não vivemos sem um espetáculo, seja ele qual for. Já nos habituamos com isso e, tenho certeza, não saberemos mais viver apenas vendo árvores e passarinhos, nem que para isso tenhamos que viajar e faltar ao trabalho.